terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Duas Notícias


Quem ainda não viu por aí, Fidel Castro, depois de mais de meio século mantendo uma ditadura Comunista, renunciou à presidência de Cuba. Pelo menos por enquanto o poder está nas mão do irmãozinho Raul Castro, mas com o Bush de olho para levar a democracia e o estilo de vida americano para a ilhota, talvez tudo mude bem mais rápido agora.

Não sei se é uma grande vantagem para Cuba, nunca tive uma opinião muito formada sobre o Comunismo e a forma como ele foi aplicado em Cuba, na Rússia e em outra dezenas de lugares, mas o fim dessa era Castro é, inevitavelmente um marco histórico.

A ilha se mantinha praticamente isolada do mundo, ainda amargando um pouco do embargo comercial que os EUA impôs no período da Guerra Fria, quando Fidel conseguiu manter Cuba com a ajuda da extinta União Soviética, que a tinha como uma localização militarmente estratégica.

Depois da abertura para o mercado da Rússia e da China, a saída de Fidel é o primeiro passo para que o comunismo seja praticamente extinto e o vazio conceitual na “classificação dos mundos” se agrave.

Alguém ainda sabe por que os EUA, a Europa e outra dúzias de países são do 1º Mundo e nós do 3º? Onde estaria esse segundo mundo perdido? Era exatamente nesse buraco na escada que se encaixavam os países comunistas.

Sei lá, independente de qualquer coisa, é um fato notável que Fidel tenha colocado uma pequena ilha da América Central, com uma economia inexpressiva, muitas vezes no centro do mapa político mundial. E, apesar de todas as tentativas dos EUA, ele sempre consegui chamar a atenção, fazendo o nome de Cuba se destacar entre os tantos países que temos pelo globo.

A outra notícia é bem menos relavante. Hoje a Folha, em um chamativo texto na primeira página do jornal, publicou um editorial retaliando a série de processos que a Igreja Universal tem desencadeado contra o jornal e uma repórter que publicou, no ano passado, uma matéria sobre as atividade financeiras do famigerado Bispo Edir Macedo.

É impressionante o fato de que uma igreja, relativamente recente, arrebanhou tantos fiéis e constituiu uma capacidade de arrecadação tão grande ao ponto de poderem comprar duas redes de televisão, algumas rádios, além de diversos outros bens que a gente não tem nem como fazer idéia. Como se isso não bastasse eles são uma poderosa força política e, agora, estão mostrando as garras para tentar ganhar, mesmo que de uma forma um tanto suja, uma queda de braço com o restante da mídia que eles, ainda, não controlam.

Muitas vezes a religião e seu poder me assustam. Hora de volta para os gibis!

2 comentários:

Amalio disse...

O maior perigo da Igreja Universal está na força política que eles conseguiram arrebanhar. Não vamos ser ingênuos e desconsiderar que a Igreja Católica também tem lá o seu Lobby, mas graças ao Bom Deus, a inquisição já está longe e a igreja católica tem outros interesses, não tão diabólicos como no passado. O perigo da Universal é que não sabemos quais as suas reais inteções caso assumam, por exemplo, uma presidência da república, sonhada pelo Bispo galã Marcelo Crivella.

Diego Figueira disse...

Quanto ao Fidel, eu sempre brincava que o século XX só iria acabar quando ele moresse - ou saísse do poder, o que eu considerava muito difícil. E agora estou mais convencido disso, e daqui pra frente nada será como antes. Como dizem os teóricos do pós-modernismo, esta é a época das incertezas e noções como o socialismo e próprio capitalismo estão perdendo o sentido sem ter um ao outro como openente.