Eu sei que essa não é uma questão muito universal, na verdade em um primeiro momento ela se aplica só a quem mora em São Paulo, mas é uma consideração interessante.
Esses dias eu estou escolhendo um jornal diário novo. Passei os últimos oito anos lendo a
Folha de São Paulo e chegou um momento que me cansei da linha editorial do jornal. Como aqui em São Paulo existem dois grandes jornais e mais uma série de opções classificadas como populares temos a opção de escolher o jornal que mais agrade.
Nada contra os jornais populares como o
Agora, o
Diário de São Paulo e o
Jornal da Tarde, muito pelo contrário, já fui leitor do
JT por um período e gostava bastante, contudo esse jornais são muito diretos e carecem em várias áreas como economia e cultura. São bons e rápidos, mas deixam a sensação de que está faltando alguma coisa.

Aliás essa é a mesma sensação que me afastou do
Valor Econômico. Acompanhei o jornal por uma semana porque sou um entusiasta do mercado financeiro. A qualidade dos textos é inegável. Os temas têm a profundidade ideal para lidar com as questões econômicas e políticas de forma abrangente, mas ao mesmo tempo com a velocidade que essa área pede, afinal, quem trabalha no mercado financeiro nunca parece ter muito tempo.
O problema do
Valor é que ele é tão focado que parece uma tapadeira. Você lê todo o jornal, está a par da política e do meio empresarial, mas não sabe, por exemplo, se houve um assalto no Masp. Não sabe das novidades do cinema etc.
Então o jeito foi conhecer
O Estado de São Paulo. Sempre fui resistente ao
Estadão, principalmente o visual dele me incomodava bastante. Obviamente quando comecei a ler o impacto foi imediato. O espaço que a
Folha sempre dedicou a ilustrações e seus famosos infográficos é coberto no
Estado por textos.

Depois de uma semana vi como isso é positivo. Os textos do
Estadão são mais longos, mais ortodoxos, com um raciocínio mais limpo. Além disso, o jornal traz vários textos escritos por pessoas diferentes sobre um mesmo tema.
Apesar de algumas pessoas acharem que o principal papel do jornal é informar, eu busco no jornal opiniões. Eu acho que os fatos estão por aí, fáceis de serem encontrados. Mas o que diferencia um jornal são as opiniões dos seus redatores. Defendo inclusive o direito do jornal ser tendencioso. Eu comprei aquele jornal para ele tomar um partido, para ele mostrar o que ele pensa e porque. Se não me agrada o caminho que ele segue, então deixo de comprá-lo.
Sou muito a favor de conhecer a opinão dos outros, ver como eles pensam e como defendem esse pensamento.
Não vou em entrar no mérito de direita e esquerda. Para o primeiro que quiser dizer que o
Estado e assim e a
Folha assado, lembrarei que o PT e o presidente deveriam ser de esquerda.
Enfim, o
Estado ganha nesse aspecto, é melhor aparelhado na parte de economia e na parte de cultura (a Folha se foca demais em cinema, televisão e música deixado de lado outras reflexões importantes). Infelizmente ele perde feio para a Folha na questão de quadrinhos. A folha tem um espaço quase fixo para falar de quadrinhos e tem uma ótima seção de tiras.
No geral o importante e você achar o jornal que mais se adapte a você. Nem precisa ser um jornal, várias pessoas preferem revistas ou acompanhar algum canal de informação na internet. Mas, se você está escolhendo um jornal, aqui vai uma dica: A maioria dos jornais oferece um período de uma semana de degustação. Basta ligar, dizer que está pensando em assinar mas gostaria de conhecer melhor o jornal.
Passei quinze dias conhecendo jornais e agora vou ser, pelo menos por um tempo, leitor do Estadão.