Domingo, 29 de Junho de 2008

Pós-modernismo?



A Eurocopa chegou ao fim e os espanhóis são campeões depois de 44 anos de espera. Mas o que me chamou a atenção nessas três semanas de jogos com os grandes nomes do futebol mundial, que acompanhei com certo entusiasmo, foi como uma promessa de "transformação" do futebol não se concluiu.


O engraçado é que ouvi/li várias vezes a expressão "futebol pós-moderno", motivada, talvez, pelo aparente fim das certezas absolutas que se viu na primeira fase e nas quartas de final do torneio, além de uma série de novas posturas táticas que não vêm ao caso. Até aí os astros foram uma Holanda que ressurgia depois de muito tempo, além de novas promessas Turquia e Rússia (comandada por um técnico holandês), todas jogando pra frente, revivendo o "futebol total".

Convenhamos, isso está mais para Romantismo do que Pós-modernismo.


Nas semi-finais ficaram Alemanha, Itália, Espanha e Turquia. Passaram à grande final Alemanha e Espanha. Prevaleceu a tradição, contrariando alguns entusiastas. Mesmo assim, a conquista espanhola é um resultado interessante. Mostra que a força do país no futebol não é apenas econômica e derruba um tabu de que a Espanha era o patinho feio da Europa que nunca ganhava nada.


Como qualquer outro campo cultural, o futebol cria seus mitos e discursos. Agora além de representar países, o futebol globalizado põe em conflito visões diferentes sobre como jogar, bem como novas formas de prazer derivadas desse espetáculo. Nisso o esporte não está muito longe da cultura pop.
Aliás, acho até que já faz parte dela.

Leia:
El País.com, Febre de Bola, Veneno Remédio.

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Sorteio



Estava meio sem assunto hoje então para animar vamos fazer um sorteio!

Inscrevam-se mandando um e-mail com o seu nome para popbaloes@popbaloes.com

É só mandar um e-mail até sexta 03/07 que você pode ganhar um encadernado (capa mole) dos Supremos. Vale a pena!

O brinde foi cedido pela Banca 2000, que aliás sempre está com boas promoções.

é isso, se increvam aí.

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

rapidinha



Eu sei que já tem um bom tempo que o site está sem novas atualizações, mas estamos resolvendo isso.

Enquanto não mudo a capa e coloco novas matérias, vocês podem ler essa resenha do filme do hulk aqui pelo link direto:
http://www.popbaloes.com/mats/hulk.html

Para não dizer que fiz um post só com isso, amanhã na Livraria Cultura da Paulista às 18:30 vai acontecer o lançamento do novo livro do filósofo Eduardo Gianetti : O LIVRO DAS CITAÇOES - UM BREVIARIO DE IDEIAS REPLICANTES.

Sou fã desse autor desde que li um outro livro dele chamado Felicidade, que, apesar de ter nome de livro de auto-ajuda, é um excelente trado filosófico sobre o tema.


Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Nacionalismos

É impressionante como os legisladores brasileiros gostam de leis protecionistas, olhem esse comentário do Tutty Vasques do Estado de São Paulo:
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Agora vai!
Projeto de lei do senador Cristovam Buarque quer tornar o cinema brasileiro obrigatório nas escolas. Isso quer dizer o seguinte: daqui a 15 anos, o País terá formado uma geração tão aficionada em filmes nacionais quanto em matemática.
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No fundo o que todos esquecem é que não adianta proteger ninguém, deve se dar condições de competir em pé de igualdade.

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

O Incrível Hulk

Acabei de voltar do cinema porque até agora não tinha assistido ainda o filme do Hulk. Apesar de ter ouvido vários elogios, como perdi a cabine de imprensa não tive muita pressa para vê-lo.

Já fiz uma resenha que reflete um pouco além do que só sobre o filme em si, mas sobre a direção que a Marvel está tomando em suas produções. O Diego vai revisar o texto e quarta-feira deve estar no ar com uma boa atualização do site.

Mas, para adiantar vou fazer alguns comentários que não cabiam na resenha:

- Não sei se você sabe, mas o filme começa no Rio de Janeiro, na Favela da Rocinha e o exército americano vem caçar o Hulk bem no meio do morro. Talvez o nosso exército esteja se inspirando na destruição que eles causaram no filme: oras se o Hulk pode, por que a gente não?

- Obviamente o Gen. Ross não consegue prender Bruce Banner, agora, se ele quisesse mesmo prendê-lo bastaria chama o Capitão Nascimento, pois para o BOPE, missão dada é missão cumprida.

- Impressionante a quantidade de cenas de farão os fãs da Marvel e do Hulk adorar o filme. Não pesquisei no orkut, mas deve ter um monte de gente dizendo: nossa e aquela cena em que a cabeça do Stern começa a inchar... (você só vai entender a piada se for fã do Hulk... desculpe... o filme é assim também).

- Me impressiona a mentalidade dos militares coadjuvantes do Hulk... é algo asssim: Olhe um gigante verde. Nossa ele é a prova de balas, mísseis e bombas nucelares! Peguem seus revólveres e continuem atirando... vai que resolve alguma coisa.

Para fechar uma observação séria: Aquele visual emborrachado do primeiro filme foi mudado e o gigante esmeralda ficou bem melhor.

Ah, se você ainda não destruiu nosso blog, clica aqui

Domingo, 22 de Junho de 2008

Jornais


Eu sei que essa não é uma questão muito universal, na verdade em um primeiro momento ela se aplica só a quem mora em São Paulo, mas é uma consideração interessante.

Esses dias eu estou escolhendo um jornal diário novo. Passei os últimos oito anos lendo a Folha de São Paulo e chegou um momento que me cansei da linha editorial do jornal. Como aqui em São Paulo existem dois grandes jornais e mais uma série de opções classificadas como populares temos a opção de escolher o jornal que mais agrade.

Nada contra os jornais populares como o Agora, o Diário de São Paulo e o Jornal da Tarde, muito pelo contrário, já fui leitor do JT por um período e gostava bastante, contudo esse jornais são muito diretos e carecem em várias áreas como economia e cultura. São bons e rápidos, mas deixam a sensação de que está faltando alguma coisa.

Aliás essa é a mesma sensação que me afastou do Valor Econômico. Acompanhei o jornal por uma semana porque sou um entusiasta do mercado financeiro. A qualidade dos textos é inegável. Os temas têm a profundidade ideal para lidar com as questões econômicas e políticas de forma abrangente, mas ao mesmo tempo com a velocidade que essa área pede, afinal, quem trabalha no mercado financeiro nunca parece ter muito tempo.

O problema do Valor é que ele é tão focado que parece uma tapadeira. Você lê todo o jornal, está a par da política e do meio empresarial, mas não sabe, por exemplo, se houve um assalto no Masp. Não sabe das novidades do cinema etc.

Então o jeito foi conhecer O Estado de São Paulo. Sempre fui resistente ao Estadão, principalmente o visual dele me incomodava bastante. Obviamente quando comecei a ler o impacto foi imediato. O espaço que a Folha sempre dedicou a ilustrações e seus famosos infográficos é coberto no Estado por textos.

Depois de uma semana vi como isso é positivo. Os textos do Estadão são mais longos, mais ortodoxos, com um raciocínio mais limpo. Além disso, o jornal traz vários textos escritos por pessoas diferentes sobre um mesmo tema.

Apesar de algumas pessoas acharem que o principal papel do jornal é informar, eu busco no jornal opiniões. Eu acho que os fatos estão por aí, fáceis de serem encontrados. Mas o que diferencia um jornal são as opiniões dos seus redatores. Defendo inclusive o direito do jornal ser tendencioso. Eu comprei aquele jornal para ele tomar um partido, para ele mostrar o que ele pensa e porque. Se não me agrada o caminho que ele segue, então deixo de comprá-lo.

Sou muito a favor de conhecer a opinão dos outros, ver como eles pensam e como defendem esse pensamento.

Não vou em entrar no mérito de direita e esquerda. Para o primeiro que quiser dizer que o Estado e assim e a Folha assado, lembrarei que o PT e o presidente deveriam ser de esquerda.

Enfim, o Estado ganha nesse aspecto, é melhor aparelhado na parte de economia e na parte de cultura (a Folha se foca demais em cinema, televisão e música deixado de lado outras reflexões importantes). Infelizmente ele perde feio para a Folha na questão de quadrinhos. A folha tem um espaço quase fixo para falar de quadrinhos e tem uma ótima seção de tiras.

No geral o importante e você achar o jornal que mais se adapte a você. Nem precisa ser um jornal, várias pessoas preferem revistas ou acompanhar algum canal de informação na internet. Mas, se você está escolhendo um jornal, aqui vai uma dica: A maioria dos jornais oferece um período de uma semana de degustação. Basta ligar, dizer que está pensando em assinar mas gostaria de conhecer melhor o jornal.

Passei quinze dias conhecendo jornais e agora vou ser, pelo menos por um tempo, leitor do Estadão.

Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Tabelinha


Para muitos brasileiros hoje o assunto é o 0x0 da nossa (?) seleção com os argentinos ontem. Eu já me aventurei a fazer alguns posts sobre esportes aqui no blog mas dessa vez vou deixar que entende falar do assunto.

Então aí vão duas sugestões de blogs para se discutir futebol e muito mais. O primeiro é do nosso amigo e leitor assíduo Amalio Damas, que já divulgamos semana passada.

O outro é de uma turma de alunos do curso de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde me formei e hoje faço meu mestrado sobre história em quadrinhos. O blog De.Letra tem comentários inteligentes e divertidos sobre esportes, com um jeito de encarar o tema muito semelhante da nossa abordagem de quadrinhos no Pop Balões. Vale a pena conferir.

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Dedé volta para a Globo

Sei que não tem nada a ver com quadrinhos*, mas eu passei a manhã pesquisando o tema e leando entrevistas então tenho que pelo menos postar aqui no blog. Não sei se temos algum leitor jovem de mais a ponto de não lembrar dos Trapalhões, mas vai que seja o seu caso, então não custa explicar.

Eles eram um grupo de comediantes na linha do humor físico/pastelão, uma espécie de palhaços para a televisão. Formados por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias ficaram muito famosos no final dos anos 70 e durante toda a década de 80 quando tiveram um programa na Rede Globo e fizeram vários filmes. Aliás, por um tempo o cinema nacional só conseguia chamar a atenção das crianças com os filmes dessa turma.

Em 1990 Zacarias morreu e o programa ficou a deriva, mudando constantemente de formato. Para dar uma idéia ele chegou a ter histórias em Hotel e uma agência de detetives (a Agência Trapa Tudo). Essa fase do programa durou apenas quatro anos, pois em 94 Mussum faleceu e a o grupo deixou de existir.

Após isso a Globo exibiu reprises dos Trapalhões por algum tempo e só seis anos depois trouxe de volta Renato Aragão, o Didi, mas sem seu parceiro Dedé. Por muito tempo se especulou sobre a briga dos dois, algo que tinha até um precedente pois em 83 quase ouve um racha entre Didi e o restante do grupo.

As declarações dos dois artistas sempre foram muito contraditórias, ora dizem que apesar de não terem mais a mesma amizade de antigamente ainda são amigos, ora Dedé dizia não entender porque Didi não o procurou para um novo programa, mas isso são águas passadas.

Muito tempo depois disso parece que Didi começou a articular com a direção da Globo a volta do Dedé, mas eles eram extremamente resistentes alegando que queriam fugir de uma certo clima de nostalgia que o retorno da dupla poderia causar.

No fim, a Globo cedeu (ou pelo menos viu que seria mais lucrativo ter o Dedé de volta) e Dedé será o novo integrante do programa Turma do Didi, já a partir desse domingo. Aliás o Didi prometeu um especial para a volta da dupla nessa edição do programa.

Enquanto domingo nao chega, separei um vídeo do You Tube com os Trapalhões interpretando Super-Heróis (quem quiser, dá para passar o dia todo no you tube revendo os personagens de tantos vídeos que tem.



(Impagável o Robin Desbotado e o Homem-Aranha de Capa)


*Se isso não foi o suficiente para ligar o tema com quadrinhos nosso amigo Marcus Ramone lembrou que existiu o gibi dos Trapalhões uns anos atrás.

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Cuidado, este blog pode destruir você

O Naranjo do UHQ me passou esse link, ele é parte da campanha de marketing do filme do Hulk e é no mínimo uma brincadeira divertida para repassar para os amigos então clica aí, mas cuidado com o Hulk:

http://www.paramountpictures.com.br/oincrivelhulk/destruaseusite/effects/index.asp?file=fistsmash&url=popbaloes.blogspot.com&lang_id=pt


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Rapidinha: O CQC continua com a campanha para entrar no congresso, como eu apoio continuou divulgando o link, se quiserem dar uma força para eles é só clicar em: http://www.cqcnocongresso.com.br

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

O Arco e o arqueiro míope

Estou fazendo uma resenha para o UHQ sobre a edição 52 de Novos Vingadores e abri falando sobre a fragmentação da narração nas histórias atuais de heróis.

É interessante como o mercado americano criou uma lógica comercial que beira a um contrasenso de longo prazo. Em algum momento os editores decidiram que seis partes (edições) seria a medida ideal para um "arco" de histórias. A escolha tem diversas razões, inicialmente seis edições representam meio ano de histórias o que facilita o planejamento da editora e é tempo suficiente para ver a aceitação do público para aquele material. Em segundo plano tem a questão que seis edições parecem ter o melhor custo/benefício (para editora, é claro) na reorganização dessas histórias na forma de um encadernado.

Algo que se tornou corrente inclusive, principalmente na Marvel, foi lançar títulos como mensais e, depois de seis edições, em vez de dizer que eles foram cancelados "rebatizam" as revistas como minisséries.

Apesar de isso funcionar a curto prazo, dar vários "pontos de entradas" para leitores novos e velhos, essa prática tem formado uma geração de roteiristas imediatistas que não conseguem pensar em uma história longa, apenas pequenos contos de seis partes que, com muita sorte, podem ser remendados com mais outras seis partes que podem ou não pavimentar o caminho para uma continuação.

Nessa lógica de história fragmentadas acabam se destacando roteristas como Bendis, Brubaker e Straczynski que passam vários anos trabalhando em um título, construindo uma história onde cada pequeno pedaço se encaixa em um ponto ou outro, conseguindo um resultado final no mínimo interessante.

Só um roteirista assim conseguiria preparar o terreno para fazer algo como o que Brubaker fez em Capitão América: matar o personagem principal e poder continuar o título contando uma excelente história.

Essa falta de visão a longo prazo dos editores que tem sobrevivido em alguns poucos roteirista é uma das coisas que aos poucos vai envenenando os quadrinhos de super-heróis e destruindo toda a indústria que foi construída. Pois vejam só: os quadrinhos de super-heróis são uma novela sem fim quem vem sendo contada há décadas e deveria continuar por outras tantas inúmeras décadas, contudo, como ir tão longe com uma visão cada vez mais míope.