quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O Micro e o Macro da Economia


Muito tem se falado da crise econômica que assola o mundo e até a semana passada acho que as pessoas não conseguiam notar exatamente como isso poderia afetar a vida delas. Eu não sei se você sabe, mas um dos meu hobbys, se é que isso pode ser considerado um hobby, é economia e o mercado financeiro. Descobri esse universo através de um amigo e desde então não parei de estudá-lo e, justamente em tempos de crise, vemos como muitas teorias estão certíssimas.

No começo se falava muito na crise nas bolsas, o valor das ações despencando, investidores a beira de um ataque de nervos, bancos falindo, ou seja, uma série de coisas que parece muito distante do cidadão comum. Pelo contrário, muitos que se acham imunes ao sistema econômico tendem a vibrar com a a falência de biliardários.

Essa semana o que os analistas estavam tentando explicar aconteceu a crise chegou no nosso bolso. O dólar quebrou a "barreira psicológica" dos R$ 2,00 e, depois de valer por algum tem até 1,5, chegou a R$ 2,50. Ou seja, tudo, absolutamente tudo que depende de importação vai ficar mais caro e não se iluda. Quase nada é realmente 100% nacional. Mesmo que a fabricação, a matéria-prima seja nacional, às vezes a tecnologia e o maquinário é internacional. O petróleo e todos os seus derivativos são em dólares. Isso entre muitas outas coisas que, mesmo que muito indiretamente, afetam o custo efetivo do nosso dia-a-dia.

Além disso os bancos já tiveram que reduzir suas linhas de crédito, ou seja, os empréstimos vão ser mais difíceis, vão exigir mais garantias, e vão ser mais caros ainda. Fora toda uma série de fatores em cascata que desaceleram a economia, diminuem empregos, tiram dinheiro de circulação etc.

Quando estava se falando no tal "pacote anti-crise" que o congresso americano deveria ter aprovado imediatamente mas rejeitou a um primeiro momento tinha-se um discurso que aquelas medidas seriam dar dinheiro para banqueiros e especuladores, seriam tirar dinheiros de impostos e aplicar justamente na parte mais rica da pirâmide, que isso era anti-social, anti-democrático, anti-tudo.

A reação foi tão forte que os políticos articularam a presença do popular ex-presidente e atual filantropo Bill Clinton no talk show do David Letterman (equivalente ao Jô Soares nos EUA) para explicar a crise econômica e mostrar que aquele dinheiro, apesar de ir para Wall Street, estava preservando a economia e protegendo toda a população.

Enfim, todo mundo está falando na tal crise, os governantes latino-americanos estão falando uma bobagem maior que a outra, mostrando que nos elegemos bem mal nossos líderes, mas parece que pouca gente está realmente entendendo.

Simplificando:

O nosso presidente é um incapaz. Isso todo mundo já sabia. Ele disse que a crise era do Bush, dormiu no ponto e agora a crise é bem nossa. Só esperamos que no momento de tomar medidas impopulares, mas necessárias ele saiba que deve pensar no país e não na eleição e em manter o bolso dos companheiros cheios.

A economia está com problemas, não estamos mais nos tempos bem-aventurados de melhoria de vida para a população, muito pelo contrário, preparem-se para tempos de recessão, preços mais altos, impostos mais altos, serviços públicos mais ineficientes, demagogia maior ainda.

Finalmente, o apocalipse não chegou. O mundo mudou muito desde os tempos das grandes crises econômicas. Não precisa correr sacar todo o seu dinheiro do banco, a inflação não chegará a 1000% ao dia entre outras coisas. Mas, não custa refletir depois que isso tudo passar como a situação se acertou, quem se comportou como e qual é o melhor caminho tanto para a economia do país quando a do seu bolso.

2 comentários:

Amalio Damas disse...

Cara, vamos voltar a falar de quadrinhos? A crise já chegou aqui em casa faz tempo. A melhor maneira de medir a crise é através do papel higiênico, quando a gente compra Neve com folha dupla e perfumado, a situação tá boa, mas quando você começa a comprar papel higiênico Fofinho é porque a coisa tá preta. De uns dias prá cá comecei a olhar o jornal como uma alternativa viável.

Oliboni disse...

aqui temos um comprometimento que só posso comprar um tal papel higiênico do coelhinho. Ainda estou procurando uma marca genérica com um coelho para ver se engano a esposa, mas está difícil. Malditas marcas registradas!