segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Garoto-Aranha


Desde que o tal Garoto vestido de Homem-Aranha salvou um bebê, começou um certo espetáculo pelo ato heróico do garoto. Obviamente, o feito dele foi extremamente importante para a mãe e o bebê. Mas, o grande problema da história está no fato dele ter feito o fez não por coragem, ou burrice, mas por achar que podia por “ser” Homem-Aranha e, conseqüentemente, ser invencível.

A partir disso, enquanto todos parabenizam e dão medalhas para o menino, o Paulo Ramos do blog dos quadrinhos especulou o que aconteceria se o menino tivesse morrido. Ele acha que nesse caso haveria uma grande “caça as bruxas” contra os quadrinhos, retomando toda aquele discussão da década de 50 e a sedução dos inocentes. Tudo bem ele exagerou bastante aí nessa viagem em realidades paralelas. Se ele morresse, provavelmente nem viraria notícia, como a maioria das pessoas que morrem dentro de barracos de madeira queimados.

Se virasse, iria ter todo um debate de “especialistas” que iriam da supernanny até Roseli Sayão se contrapondo com alguns intelectuais dos quadrinhos, talvez o próprio Paulo Ramos. No fim demoraria muito para todas essas mentes lembrarem que o menino nunca leu um gibi do Homem-Aranha, porque a família não tinha R$ 7,00 por mês para gastar com isso e porque ele não tem idade suficiente para entender as histórias cada vez mais adultas das revistas. Provavelmente ele assistiu aos filmes, desenhos, não entendeu tudo, mas só o conceito de que o Aranha é um herói e heróis sempre vencem e partiu daí com a sua fantasia que deve ter ganho de dia das crianças.

Ao meu ver, não precisaríamos da tragédia para abrir uma discussão. Só o fato do garoto se sentir invencível e depois de toda essa festa em torno dele ele se sentir mais poderoso ainda já é muito complicado, pois, a hora que ele tentar para um carro, ele não vai conseguir. O problema na verdade não são os quadrinhos seduzindo os inocentes, nem as televisões lavando as mentes e sim os pais ou responsáveis que estão cada vez mais distantes dos filhos. Os adultos tendem a achar que certas coisas são de criança e pronto.

A criança fica ali e o adulto em outro canto com suas coisas de adulto. Não existe uma interação e nem um preocupação de ver o que a criança assiste, lê ou aprende. Aliás, eu não sou especialista de coisa nenhuma, mas essa interação não é só para censurar e dizer isso não pode. A interação é também para ver o que pode. Os pais têm que ter a paciência de ver os programas da criança e ajudarem ela a perceber onde acaba a ficção e começa a realidade.

Não precisa dizer que Papai Noel não existe, mas, pelo menos, que se você pular de um prédio, a capa do Superman não vai te fazer voar e, a próxima vez que salvar alguém, saiba que você não é invencível e pode morrer também. É preciso muita paciência, mas, vamos combinar, se você não tem paciência porque foi se meter e criar uma criança.

3 comentários:

Junior disse...

Este é um fato que ta saindo em todos os lugares da Internet....e ja vi pontos de vista que falam sobre a figura do Super-heroi....minha opinião é que se fazer uma analogia da minha infancia, tenho a dizer que nunca quebrei nenhuma parte do corpo pensando que era um super-heroi...meus pais a partir do momento que conheci tais figuras, me ensinaram que aquilo somente era ficção......mas digo também que muita revista em quadrinho me deu educação, e me mostrou o que é certo e errado....
O garoto foi corajoso..salvou a garotinha....foi um ato impensado que quando ele estiver mais velho vai reconhecer que teve uma sorte do tamanho do mundo...
Mas olhando os casos do Vampiro taradão dos RPG´s e do garotinho "doido" homem-aranha, mostram a falta de preparo de muitos pais em colocar um filho no mundo, e se deixar ser educado pela televisão ou por um doido....
é como uma campanha que fizeram aqui na minha região, como um alerta aos pais...."adote o seu filho, senão um traficante pode adotar ele".....

Zé Oliboni disse...

Nossa, eu não conhecia essa campanha, mas, muito bom esse lema.

Carla Bitelli disse...

Concordo plenamente, Zé. Eu não sou partidária da censura, sempre insisto que devemos educar as crianças para que elas sejam críticas em relação ao que assistem, lêem etc. Só assim é que ela realmente se torna um ser pensante. Fora que só assim ela realmente aprecia o que está assistindo, lendo etc.